sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2014

A jornada europeia está de regresso

Por melhor e mais competitivo que o campeonato português esteja nesta altura, é chegada a hora de olhar para o exterior. Depois da paupérrima prestação das equipas portuguesas na primeira fase da Liga dos Campeões (Benfica e Porto foram não se apuraram para a fase seguinte) e Liga Europa (todas as equipas foram eliminadas), é hora de tentar recuperar algum do prestígio perdido nos últimos jogos. E para o tentar fazer, os portugueses apenas podem contar com as equipas do Benfica e Porto, claro está.

A eliminatória completa da Liga Europa

O Benfica vem de uma série francamente positiva e em clara melhoria a nível defensivo. O desastre inicial com Artur na baliza, tem sido compensado com Oblak, que ainda só sofreu um golo com a camisola dos encarnados. O Porto, por seu turno, atravessa uma das fases mais complicadas dos últimos anos, o que, mesmo assim, ainda lhe permite estar em todas as frentes das competições nacionais.

Os comandados de Paulo Fonseca vão-se apresentar frente aos alemães do Eintracht Frankfurt, equipa do meio da tabela da Bundesliga e que faz do coletivo e do jogo aéreo as suas principais armas para ameaçar a baliza adversária. O poderoso médio Alexander Meier (com impressionantes 1.96m e 85kg) é, a meu ver, um dos jogadores a ter em atenção para a equipa azul e branca.

Já o Benfica irá ter pela frente os gregos do PAOK de Salónica. Um reencontro, depois de 1999, altura em que os adeptos da equipa encarnada ficaram a conhecer Sabry, mágico egípcio que chamou a atenção dos dirigentes do Benfica para o contratarem. Sobre este novo PAOK, o dado mais importante e perigoso é mesmo o jogo fora de casa. Atualmente, como contou recentemente Fernando Santos ao programa "Bola na Rede", a maior arma desta equipa grega é mesmo o ambiente infernal que consegue implementar no seu estádio. Que o diga Miguel Vítor, o único português na equipa e que, curiosamente, saiu do Benfica no início desta temporada.

Benfica-PAOK em 1999
Fonte: Maisfutebol

Não costumo antecipar resultados. Até porque no futebol são 11 contra 11 e tudo pode acontecer. Mas se me pedirem para arriscar, eu faço-o para esta ronda: acho, muito honestamente, que Benfica e FC Porto, apesar das dificuldades, vão conseguir ultrapassar esta fase. E, por isso mesmo, aqui fica o meu conselho aos adeptos de ambos os clubes: não percam tempo e vão comprar bilhetes para estes dois encontros. Comprem bilhetes para o jogo do Benfica, na Luz, e do FC Porto, no Dragão. Não se vão arrepender e, provavelmente, deverão ver duas vitórias dos vossos clubes.

Não diria que a vitória é certa porque ambas as equipas estão algo irregulares este ano. Mas a nível qualitativo, Benfica e Porto são francamente superiores aos seus adversários. E essa é a maior razão para que todos possam estar otimistas em relação ao desfecho das eliminatórias. Pela minha parte, enquanto português, estou com um bom pressentimento.

sábado, 30 de Novembro de 2013

Uma perspetiva adiantada

Será arriscado fazer prognósticos os possíveis vencedores da Liga dos Campeões deste ano? Provavelmente, sim. Há dois anos, nem o mais otimista adepto, por exemplo, acreditaria que o Chelsea (na altura treinado por André Villas-Boas) viria a ser o vencedor da competição com um plantel muito inferior do que muitas equipas desse ano.
Mas como eu gosto de lógica e acredito na qualidade do futebol dos melhores, queria hoje falar-vos de um possível vencedor antecipado da competição: o Bayern de Munique, de Pep Guardiola.



As expectativas estavam altíssimas para o treinador espanhol. Pegar numa equipa que ganhou tudo e não perder o apoio dos adeptos progressivamente era uma missão quase impossível. E mudar a equipa e peças chave do onze habitual também poderia não ajudar. Reposicionar em campo um jogador conceituado e experiente como é Lahm (da lateral para o meio-campo) foi uma decisão com um risco tático enorme, mas que acabou por potenciar ainda mais as qualidades técnicas do jogador.

Ver Lahm no meio, com um sentido posicional exímio e uma qualidade de passe acima da média, dá um acrescento de interesse e qualidade ao jogo da equipa bávara. Um Bayern que está diferente em relação à temporada passada. Dizer que está melhor é um risco gigantesco. Mas se disser que gosto mais de o ver jogar este ano, isso, não é mentira nenhuma.

E, portugueses, se me permitem, deixo aqui uma sugestão: apressem-se a ir comprar os bilhetes para a final da Liga dos Campeões. Isto porque, para quem não sabe, a final este ano é no Estádio da Luz. E, por norma, os bilhetes para a Liga dos Campeões esgotam muito rápido. E se contarmos que uma das equipas poderá ser o Bayern e outra um Real Madrid ou Barcelona, arriscam-se a ver um jogo fabuloso, com grandes motivos de interesse.

sexta-feira, 29 de Novembro de 2013

O coletivo pode não ganhar jogos

(Texto publicado no site www.bolanarede.pt a 24/11/2013)
“A união faz a força”. “Interessa é o coletivo”. “Juntos somos mais fortes”. “United we stand, divided we fall”. Todas as frases caíram em clichés habituais e facilmente aplicáveis a diversas partidas, mas podem começar a perder algum sentido se começarmos a observar os últimos jogos do Tottenham de André Villas-Boas. O massacre que sofreu hoje às mãos do Manchester City (6-0) pôs a nu as grandes debilidades da equipa que ele próprio construiu, fundamentada nos seus próprios princípios de jogo.
André Villas-Boas, à partida para este campeonato, tinha já uma certeza: Gareth Bale ia sair, mas ia deixar muito dinheiro para reforçar todo o plantel e aumentar a sua profundidade. E o treinador português escolheu (maioritariamente bem) as peças que queria encaixar na sua equipa e as posições que necessitavam de profundidade. Vieram Soldado, Lamela, Paulinho, Capoue, Eriksen ou Chiricheş, mas a filosofia de Villas-Boas manteve-se. É um treinador que se inspira muito no modelo 4-3-3 de Pep Guardiola, mas que aborda os jogos de forma excessivamente cautelosa. Fia-se demasiadas vezes na sorte e na esperança de que algum jogador faça a diferença no encontro.
Sem Bale, Villas-Boas não tem muitos motivos para sorrir Fonte: http://allnep.com/
Sem Bale, Villas-Boas não tem muitos motivos para sorrir
Fonte: http://allnep.com/
Pois bem, sem Bale, o Tottenham perdeu uma significativa capacidade de decidir jogos através de rasgos individuais. E os jogos da equipa de Villas-Boas caem excessivamente na previsibilidade e falta de capacidade para definir jogadas. Soldado tem disfarçado em alguns jogos, por ser um excelente finalizador, mas as evidências estão à vista de todos. As equipas do treinador português sempre se solidificaram segundo estes processos de controlo e de manutenção da posse de bola. Teve sucesso quando tinha, no seu plantel, jogadores capazes de fazer a diferença: Falcao e Hulk no Porto e Bale no Tottenham. No Chelsea a história foi diferente e ia muito para além da qualidade dos seus jogadores.
Sem Bale ou uma referência capaz de desbloquear encontros, os dados estatísticos acabam por comprovar a ineficácia das equipas de Villas-Boas: não sofre muitos golos (antes do descalabro de hoje, apenas tinha sofrido 6), mas marca muito pouco (apenas 9 golos marcados em 12 jogos). E a tendência não se deverá inverter muito se o treinador português continuar a abordar os jogos de forma excessivamente conservadora e apenas a pensar na posse de bola. É que o seu modelo de treinador, Guardiola, teve Messi. E agora tem Robben e Ribéry. Villas-Boas teve Bale. Agora não tem ninguém. O coletivo é, naturalmente, a componente mais importante do futebol. Incutir uma mentalidade de grupo é a base de sucesso para qualquer equipa.
Agüero foi um dos responsáveis pela derrota de hoje de AVB frente ao City por 6-0 Fonte: http://www.telegraph.co.uk/
Agüero foi um dos responsáveis pela derrota de hoje de AVB frente ao City por 6-0
Fonte: http://www.telegraph.co.uk/
José Mourinho, há 4 anos, no Inter de Milão, esteve em situação idêntica e conseguiu inverter a situação. Perdeu o seu elemento mais desequilibrador (Ibrahimovic), reforçou a sua equipa e ganhou a Liga dos Campeões. Villas-Boas, agora sem Bale, tentou o mesmo, mas os resultados foram piores. O motivo pode ser explicado de várias formas. Mas a vertente tática não pode ser ignorada. Bem como a postura de cada treinador. E enquanto Villas-Boas for excessivamente conservador na sua abordagem, à Guardiola, aos encontros, não pode queixar-se. O ano passado, Gareth Bale disfarçou-lhe as fragilidades. Este ano, está por sua conta. Cabe-lhe agora ter capacidade e coragem para ser mais frio e ambicioso para enfrentar os próximos encontros. Porque se continua à espera da sorte… pode muito bem ter azar.

Obrigado, Melhor do Mundo!

(Texto publicado no site www.bolanarede.pt a 19/11/2013)
Estamos lá! Custou. Sofremos. Lutámos. Fomos melhores. E temos o melhor. O nosso capitão não acusou a pressão e soube responder nas horas certas. Quando pensámos que não íamos conseguir vencer no primeiro jogo e quando a Suécia, no jogo de hoje, marcou o segundo golo. Precisávamos dele. E ele não falhou. Obrigado, Ronaldo.
Na abordagem ao jogo, Paulo Bento voltou a acertar nas escolhas. Sou, de longe, um dos mais críticos de Hugo Almeida. Mas o ponta-de-lança de Portugal, hoje, apesar das críticas, cumpriu aquilo que se pedia (excetuando o incrível falhanço de cabeça na primeira parte) e foi um lutador na frente de ataque. Depois houve Pepe e Bruno Alves, que continuam a ser muito firmes e seguros nos jogos decisivos. Num jogo que pedia muita concentração e espírito de sacrífico, os nossos centrais (sempre bem acompanhados por Miguel Veloso) conseguiram responder positivamente ao poderoso ataque sueco com Ibrahimović e Elmander. Não fosse a falha de marcação de Bruno Alves no lance do segundo golo, diria que ambos tinham estado irrepreensíveis.
Do meio-campo para a frente, antes de chegar à figura máxima do encontro, queria apenas destacar a excelente exibição de João Moutinho. Não falando apenas dos dois passes magistrais para os golos de Ronaldo, mas a capacidade que o médio português tem para controlar o jogo e gerir o ritmo da equipa é impressionante. Moutinho foi incansável. A ajudar na defesa. A auxiliar o ataque. E a servir a figura do jogo: Ronaldo.
"Calma, eu estou aqui!" - E os portugueses agradecem! Fonte: http://www.goal.com/
“Calma, eu estou aqui!” – E os portugueses agradecem!
Fonte: http://www.goal.com/
Faltam-me adjetivos que qualifiquem o português. Não vou reforçar outras 30 vezes que ele é, de facto, o melhor deste ano. Vi poucos jogadores na minha vida fazerem aquilo que ele fez hoje. Num jogo tão importante e com tanto a perder, Ronaldo não vacilou. Ronaldo apareceu. Ronaldo calou os críticos. Marcou 3. E carimbou o passaporte de Portugal para o Mundial’2014. Por ter feito a diferença, e não ter sido apenas mais um… Obrigado, Comandante!

Bola de Ouro para Ribéry? Mas está tudo louco?!

(Texto publicado no site www.bolanarede.pt a 17/11/2013)
Escrevo-vos cansado. Muito cansado. São tantas as barbaridades que têm sido ditas e escritas ao longo dos últimos tempos, que nem sei bem por onde começar. Talvez esta frase sirva para começar a descarregar frustrações: “A minha mulher já arranjou espaço para a Bola de Ouro: na sala, junto à lareira. Já tratou de tudo”. A frase pertence a Franck Ribéry, jogador francês esse que se considera apto e, imagine-se, o principal favorito a vencer o principal galardão atribuído pela FIFA ao melhor jogador do mundo do ano. Repito: ao MELHOR jogador do mundo do ano. Não é à melhor equipa, nem ao jogador que ganhou mais troféus. Fui claro? Talvez ainda não.
De facto, se o prémio valorizasse o bom humor ou as declarações mais desvirtuadas, aí sim, eu daria o prémio a Ribéry. Aquela frase, bem como o facto de ainda haver gente que acha que ele deveria ser o vencedor, faz-me pensar se não estaremos todos aqui a brincar com este tipo de coisas e se este prémio, de facto, não deve ser levado a sério. E as recentes atitudes de Blatter e companhia levam-me a acreditar que talvez a FIFA nem esteja muito preocupada com o real valor que todos poderão dar a este prémio.
Os candidatos à Bola de Ouro. Ronaldo sempre caricaturado como o suposto "mau da fita"
Os candidatos à Bola de Ouro. Ronaldo, como já vem sendo hábito, é caricaturado como o suposto “mau da fita”
Se formos sérios, Ribéry talvez até nem esteja no top3 mundial. De forma muito honesta, se pensarmos nos melhores do ano, a escolha só pode recair em dois nomes: Cristiano Ronaldo ou Messi. Nos últimos 5 anos, a escolha não pode, nunca, ir para outro nome. Na atualidade, se quisermos olhar à qualidade/estatísticas individuais dos melhores do mundo, temos sempre Ronaldo e Messi à frente. Depois há um fosso grande (para não dizer enorme) para os restantes. E nessa secção dos “restantes” há, para além de Ribéry, Iniesta, Robben, Neymar, Bale, Xavi ou Ibrahimovic. E o sueco, na minha opinião, até foi superior ao jogador francês neste ano.
Mas aí estaremos sempre a falar do terceiro melhor do ano. Nenhum jogador do mundo está próximo da valia e preponderância de Messi e Ronaldo. E em relação aos 2, a discussão é a mesma de sempre. E não se vão encontrar grandes consensos. Eu mantenho a minha posição de que o que Ronaldo fez este ano justifica a Bola de Ouro. Não tem cabimento que Messi tenha 4 e o português apenas uma. Não é justo para um jogador que já entrou para a história do futebol internacional e que faz uma temporada assombrosa como esta. Se ainda restar um pingo de decência aos órgãos da FIFA, que o demonstrem agora. Faça-se justiça! Aqui estamos a eleger o melhor do mundo neste ano. Não é o prémio para o jogador que fez parte da melhor equipa do ano. Nem para o que é, segundo muitos, “geneticamente” o melhor. É para aquele que foi estatisticamente o melhor. Sejamos sérios, senhores na FIFA. Uma vez na vida. Ele merece reviver este momento:
Ronaldo venceu a Bola de Ouro em 2008 Fonte: http://www.radionova.fm/

Golo de Ouro para Blatter ver

(Texto publicado no site www.bolanarede.pt a 15/11/2013)

“Água mole em pedra dura. Tanto bate até que fura”. Este provérbio é, talvez, o que melhor se aplica ao jogo de Portugal: insistir, insistir, insistir… até que a bola entra. Conseguindo cumprir os requisitos mínimos para satisfazer os adeptos presentes no Estádio da Luz, Portugal fez o que lhe competia: vencer a Suécia sem sofrer golos. O facto de o golo ser de Cristiano Ronaldo foi apenas um acréscimo de satisfação para todos os portugueses, que podem agora dar mais um motivo a Sepp Blatter para estar calado.
Na abordagem ao encontro, Paulo Bento foi cauteloso. Apostou no seu onze mais rodado e voltou a fiar-se na sorte e na persistência do jogo português. Era um dado quase adquirido que entrar com Postiga sozinho na frente e com três médios de contenção não daria para marcar muitos golos. Sabe-se que nenhum dos homens do meio-campo é suficientemente criativo para “inventar” jogadas pelo meio. Portanto, como expectável, o jogo de Portugal acabou por se tornar previsível e com poucas ideias. Meireles e Moutinho usaram e abusaram das bolas bombeadas para a grande área e os únicos momentos de (alguma) criatividade no jogo de Portugal vinham mesmos das alas, onde Nani e, claro, Cristiano Ronaldo procuravam desbloquear uma sólida defesa sueca.
O melhor da atualidade... Cristiano Ronaldo
O melhor da atualidade… Cristiano Ronaldo
Na frente, o móvel, mas inconsequente Postiga, tentava desgastar os dois poderosos centrais, Nilsson e Antonsson. Sempre em vão. Daí que olhe para a abordagem que Paulo Bento teve para este jogo e pense apenas que o selecionador nacional estava mais preocupado em não sofrer golos do que em marcá-los. Teve a benesse de ter no seu onze o melhor jogador do mundo da atualidade. E isso vale jogos. Portugal foi melhor e soube impor o seu jogo. Mas nunca, como vem sendo hábito, de forma eficaz nas zonas de finalização. Como já se viu, a equipa das quinas não é seleção para qualificações porque não sabe jogar ao ataque. Portugal sabe dominar, mas continua sem conseguir ter a clareza a definir jogadas de outros tempos. A tática resume-se na insistência em cruzamentos para a área. Algum haveria de entrar. Entrou o de Ronaldo, aos 83’.
Hoje Ibrahimovic não apareceu, felizmente para os portugueses
Hoje Ibrahimovic não apareceu, felizmente para os portugueses
Não quero, com este texto, tirar mérito à nossa seleção. Como já escrevi no passado, Paulo Bento é o meu treinador. Se estivermos no mundial, terá todo o meu apoio. Acredito, inclusive, que se lá formos, vamos fazer novamente boa figura. Porque o nosso esquema tático está talhado para os grandes jogos. Como foi o de hoje. Nos momentos difíceis, sabemos controlar ansiedades. Controlar jogos. E ter aquela ponta de sorte que premeia os lutadores. Aqueles que insistem mais do que os outros. E hoje, apesar da escassez de ideias, foi Portugal quem lutou mais pelo golo.
Agora vamos à Suécia. A eliminatória está longe de estar ganha. Acredito que se formos sólidos como hoje podemos ter fortes possibilidades. O pior está feito. Agora é só manter a consistência no próximo jogo. Sem deslumbrar, que não é preciso. Basta ganhar.

Entrevista a Rúben Silva

(Texto publicado no site www.bolanarede.pt a 10/11/2013)

À Procura do Sonho Americano


Com apenas 20 anos de idade, Rúben Silva procura entrar na história do basquetebol português, ao tentar tornar-se no primeiro jogador a conseguir garantir um lugar na liga mais mediática do mundo: a NBA…

BI:
Nome: Rúben Duarte Pereira da Silva
Naturalidade:Almada, Portugal
Data de Nascimento: 13/04/1993 (20 anos)
Altura/Peso: 1,93m e 89kg
Posição: Extremo
Clubes: Clube Recreativo do Feijó, SL Benfica e South Dakota State University
Títulos: 4 vezes Campeão Nacional pelo Sport Lisboa e Benfica em sub16, sub18, sub20 e Seniores, Torneio de Vila Franca de Xira em 2008, Torneio Internacional de Plasencia em 2010 e Torneio Internacional de Gaia em 2010.
Rúben Silva no Park Tudor Highschool, em Indianapolis, Indiana (E.U.A.)
Rúben Silva no Park Tudor Highschool, em Indianapolis, Indiana (E.U.A.)

Com apenas 20 anos de idade, Rúben Silva procura entrar na história do basquetebol português, ao tentar tornar-se no primeiro jogador a conseguir garantir um lugar na liga mais mediática do mundo: a NBA.
Depois de se ter transferido do Benfica para a South Dakota State University, onde representa a equipa dos Jackrabbits, o jogador ambiciona agora fazer aquilo que nunca nenhum português conseguiu: “É um objetivo bastante difícil, mas não escondo que sonho entrar na NBA. Fico muito satisfeito que cadeias televisivas como a Sports Illustrated ou a ESPN estejam a considerar o meu nome para o Pré-Draft da NBA, em 2016”, refere o jovem que no ano passado começou a dar os primeiros passos na Divisão1 da NCAA (National Collegiate Athletic Association), a organização norte-americana que promove o desporto universitário.
Para Rúben Silva, as diferenças entre Portugal e os E.U.A. são muito acentuadas. “Na NCAA a mentalidade das pessoas é diferente e o estilo de jogo é mais físico e corrido. Os treinadores puxam muito por nós e há treinos todos os dias, com 4 horas, sendo que uma delas é apenas destinada ao ginásio. Em Portugal, fazem-se cerca de 3 treinos por semana e nunca passam das 2 horas”, adiantou, não escondendo a surpresa pelo envolvente com que se deparou, nos primeiros jogos ao serviço da equipa norte-americana: “Apesar de não ser o desporto mais importante aqui, é impressionante ver sempre 4 ou 5 mil pessoas em cada jogo, a apoiar-nos”.
As saudades da família e do basquetebol português. A distância que o separa de Portugal não impede Ruben Silva de continuar a acompanhar os últimos acontecimentos do basquetebol nacional. O jovem português considera que a “extinção de uma referência histórica do basquetebol”, como era o FC Porto, tornou o campeonato mais “fraco”, embora afirme que existem ainda boas equipas em Portugal, para além do Benfica, como o CAB Madeira ou o Vitória, que podem ter uma palavra a dizer na luta pelo título.
Quanto à fantástica experiência que está a viver, o jovem português só lamenta a ausência de outros colegas portugueses, bem como as inevitáveis “saudades da família”. Estas não o impedem, contudo, de desfrutar do sonho que está a viver: jogar basquetebol com futuros craques da NBA.
Rúben Silva com a equipa da South Dakota State University
Rúben Silva com a equipa da South Dakota State University

Oportunidade. O jovem jogador, que tem em Michael Jordan, Kobe Bryant e LeBron James as suas referências máximas, não esconde a satisfação pela oportunidade com que se deparou este ano. “Eles já me conheciam desde os 15 anos, quando participei num Campeonato da Europa, onde tive uma prestação positiva. Depois observaram-me no Benfica e demonstraram interesse em mim. Decidi aceitar este convite da Universidade de South Dakota. Mas também recebi convites de universidades de Indianápolis, Flórida e Illinois”.
Para o futuro, Rúben Silva apenas promete continuar a “dar o máximo” para conseguir atingir as meta traçada de chegar à NBA.

quarta-feira, 16 de Outubro de 2013

Eu estou com Paulo Bento

Não interpretem este texto como uma tentativa de defender Paulo Bento. Não é. Há muitas decisões questionáveis e com as quais não concordo. Aliás, o atual selecionador nacional não é, de todo, o meu protótipo de treinador ideal. Não o acho brilhante taticamente, mas compensa muito na vertente humana. É um treinador que joga muito com a componente psicológica dos seus jogadores e que facilmente consegue tirar o melhor proveito dos seus jogadores.



Nota-se que Paulo Bento quer formar uma equipa na Seleção Nacional. Que o “núcleo forte” está lá e que não deve mexer muito até que ele, um dia, saia do comando técnico. E, para quem leu estas primeiras frases do meu texto, até poderá pensar que tudo isto parecia uma descrição quase perfeita de Luís Felipe Scolari, antigo treinador da Seleção Nacional. De facto, não é. Mas poderia ser. Parecendo que não, Paulo Bento e Scolari até têm muitas semelhanças um com outro. Ambos foram/são muito criticados pelas opções que vão tomando e, de uma forma ou de outra, acabam por conseguir resultados aceitáveis. Scolari conseguiu sempre a qualificação para as fases finais das competições e Paulo Bento, até ver, está na luta e na única tentativa que teve (recordo que até entrou com uma derrota e um empate) de entrada para uma fase final, conseguiu cumprir a tarefa com sucesso e só foi eliminado nas meias-finais pela futura campeã, Espanha (e, já agora, apenas por grandes penalidades. Espanha essa que, aliás, bateu a Itália na final por 4-0).
Atualmente, há, de facto, menos qualidade. Culpa de Paulo Bento? Não. Já falhou algum objetivo? Também não. Portanto, todas estas críticas que o treinador português tem recebido são extremamente injustas, para além de infundadas. Não se pode apontar o dedo a um treinador que cumpriu com todos os objetivos até ao momento. Se não for ao mundial, aí, sim, a história pode ser outra. Mas eu acredito em Paulo Bento. Acredito que daqui a uns meses vamos estar todos a comprar bilhetes para a Seleção Nacional e para o mundial de 2014.

E, claro está, sonhando um pouco alto, a comprar bilhetes para a Final do Mundial. Mas isso são outros objetivos. E a próxima meta passa por ganhar os próximos dois jogos do play-off. Seja como for. Somos portugueses e estamos habituados a sofrer. Até que me prove o contrário, Paulo Bento é o homem certo para estar à frente da Seleção. E eu estou do seu lado.